Belo Horizonte / MG - quinta-feira, 27 de abril de 2017

Psicoterapia e Psicoeducação no Transtorno Bipolar

Há apenas 7 estudos clínicos randomizados de 1960 a 2007 confirmando a eficácia da psicoterapia em pacientes bipolares(1)


Estudos iniciais apontam para a superioridade do tratamento psicoterápico associado ao medicamentoso sobre o tratamento convencional (farmacologico e consultas de rotina).


OBJETIVOS DA PSICOTERAPIA

  • Melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso
  • Prevenir recaídas (depressão, mania, hipomania e episódio misto)
  • Reduzir sintomas subsindrômico
  • Ajudar no manejo de estressores psicossociais

ADESÃO AO MEDICAMENTO


Menos de 50% dos pacientes psiquiátricos continuam utiizando a medcação prescrita após um ano nos EUA, segundo o NIMH (National Instittue of Mental Health).


Os principais motivos para baixa adesão seriam: diagnóstico errado, não tratamento de co-morbidades, baixo conhecimento da doença, custo dos medicamentos, baixo nível de instruçã, gravidade da doença, suporte social precário, alterações no ciclo sono vigíia pouca aceitação da doença e efeitos colaterais indesejáveis


 


PREVENÇÃO DE RECORRÊNCIAS


95% dos pacientes bipolares apresentam recorrência de episódios do humor durante a vida


Mesmo utilizando estabilizadores do humor, 40% apresentam recaídas em um ano e até 73% em 5 anos


As recaídas pioram o prognóstico da doença, aumentando o número de episódios, diminuindo o intervalo entre as crises e piorando o funcionamento psicossocial.

 

REMISSÃO DE SINTOMAS SUBSINDRÔMICOS


São sintomas que não preenchem  o critério para um episódio bipolar.

 

61 pacientes bipolares tipo I passaram 41% do tempo sintomáticos apesar do manejo clíncio adequado, 33% parcialmente sintomáticos e 8% em episódio de humor completo

 


 Em bipolares tipo II, acompanhados durante 13 anos, os pacientes passaram mais de 54% sintomáticos, sendo 31% com sintomas


MANEJO DE ESTRESSORES PSICOSSOCIAIS


É comum o baixo desempenho professional, familiar e social em pacientes com transtorno bipolar, mesmo após recuperação dos episódios e mesmo com uso od estabilizador do humor.

 

p

  • 88% dos pacientes referiram que a doença prejudica sua performance no trabalho
  • 60% trocaram de emprego devido  à doença;
  • 34% relataram não ter bom relacionamento familiar
  • 65% relataram dificuldade em manter relacionamentos íntimos (6)

Problemas nas relações profissionais e familiares, além de suporte familiar inadequado aumentam o risco de recaídas, malém como a permanência de sintomas subsindrômicos (7)


TIPOS DE INTERVENÇÕ PSICOTERÁPICA NO TRANSTORNO BIPOLAR

 


Através de revisão sistemática, quatro tipos de terapia apresentaram evidência de eficácia em transtorno bipolar, com um numero adequado de pacientes,  em estudos randomizados, controlados:

  • Psicoeducação
  • Terapia Cognitivo Comportamental
  • Terapa focada na família (Sistêmica)
  • Terapia Interpessoal e de ritmo social)
  • OBS: A terapia de orientação psicodinâmica não apresenta estudos que comprovem sua eficácia (inclusive psicanálise).

AS 4 TERAPIAS acima buscam: melhor compreensão do curso e consequencias da doença, adesão a medicamentos, identificar e manejar sintomas prodrômicos (benefícios  da regularidade de hábidtos e ciclo circdiano, identificação de estressores psicossociais efatores precipitantes de episódios.

 


PRINCIPAIS TEMAS PARA PSICOTERAPIA DE TRANSTORNO BIPOLAR

  • Compreensão do curso, gravidade e consequencias da doença
  • Compreensão da importânica na desão aos medicamenotos
  • Identificar sintomas prodrômicos (sinais iniciais de um episódio maníaco ou depressivo)
  • Educação sobre a importância de se manter um ritmo de sono adequado
  • Identificar e manerjar estressores psicossociais
  • Identificar e manejar faores desencadeadores de episódios.

AVALIAÇÃO INICIAL DO PACIENTE EM FASE AGUDA

  • Início dos sintomas
  • Número de episódios
  • Uso de medicamentos (história completa)
  • Uso de drogas
  • Psicoterapias prévias
  • Funcionamento social, familiar e laborativa prévias
  • Rede de suporte social
  • Prejúizos e perdas decorretnes do episódio atual

CUIDADOS BÁSICOS COM O USO DE PSICOFÁRMACOS

  • Avisar a qualquer médico que consultar que está utilizando estabilizador do humor, antidpressivo ou qualquer psicofármaco
  • Tomar a medicação no mesmo horário
  • Seguir corretamente a prescrição médica
  • Não modificar a prescrição antes de consultar o médico assistente
  • Procurar uma emergência sempre que houver sinais de intoxicação
  • Evitar automedicação (pode haver reações medicamentosas graves)
  • Evitar gestação sem orientação médica.
  • Em uso de lítio: informar aos médicos sobre o risco de intoxicação por litio ao utilizar anti-inflamatórios e corticóides); Se tiver diarréia, vômitos ou alterações urinárias, entre m contato com seu médico assistente.,

 

BIBLIOGRAFIA

 

1.  Kapzinski, Gonçalves e Santin,Psicoterapias: abordagens atuais in - 3ed- Cordioli- Porto Alegre: Artmed, 2009.


2. Lenzi et al, 1989 . Predictors of compliance with lithium and carbamazepine regimens in long-term treatment of recurrent mood and related psychotic disorders. Pharmacopsychiatry. 1989. Jan,; 22 (1): 34-7


3. B, Lavori PW, Coryel W. Endicott, . T. Bipolar I: a five-year follow-up. J Nerv Ment Dis. 1993 Apr; 181 (4) 238-45

Miller et all 2004


4. Judd, Akiskal. Psychosocial disability in the course of bipolar I and II disorders: a prospective, comparative, longitudinal study. Arch Gen Psichiatry, 2005  Dec; 62 (12) 1322-30

 

5. LENZI et al, 1989. Estudo conduzido pelo National Depressive and Manic-depressive Association (NDMA, com 600 pacientes bipolares.

 

 

**  Para aprofundar-se no assunto, sugiro o livro: Psicoterapias:abordagens atuais - 3a ed. aRTMED, 2008, CORDIOLI.


6. GITLIN et. Al, 1995 . Relapse and impairment in bipolar disorder. Am J Psychiatry. 195 Nov; 152 (11)