Belo Horizonte / MG - quarta-feira, 24 de maio de 2017

Suicídio na Infância e Adolescência

SUICÍDIO

 

O suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência e a tentativa de auto-exterminio a principal causa de emergência psiquiátrica em hospitais gerais.

 

Nos últimos 10 anos, têm aumentado as taxas de tentativa de suicídio e suicídio consumado em jovens.

 

98% das pessoas que cometem suicídio apresentam algum trasntorno mental à época do Suicídio (Flesmann, 2002), especialmente transtorno do humor (depressão, bipolar, etc).

 

Mais de 70% das crianças e adolescentes com transtornos de humor grave não apresentam sequer diagnóstico que dirá tratamento adequado.

 

Em média, um único suicídio afeta outras seis Pessoas (Fleishman, 2002).

 

Muitas vezes o suicídio é omitido pela família, que apresenta dificuldade e preconceito para lidar com esta difícil questão (Bertolote, 2004).

 

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países.

Homens cometem suicídio quatro vezes mais do que as mulheres e estas últimas tentam suicídio mais vezes, com métodos, porém menos letais.

 

A baixa incidência do suicídio em crianças está relacionada a maior dificulade de acesso a métodos letais e imaturidade cognitiva.

 

No Brasil, a taxa de suicídio em jovens entre 15 a 24 anos aumento 20 vezes de 1980  para 2000, principalmente entre homens (Wang, Bertolote, 2005).

 

SUICÍDIO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

 

A ideação suicida é comum na idade escolar e na adolescência; as tentativas, porém, são raras em crianças pequenas. Tentativas de e suicídio consumado aumentom com a idade, tornando-se comuns durante a adolescência.

 

Crianças suicidam com fatores desencadeantes: discussão com os pais, problemas escolares, perda de entes queirdos e mudanças significativas na família.

 

Até os 6 a 7 anos a criança encontra-se na fase do pensamento pré-lógico, com predomínio do pnesamento mágioco q, com dificuldade de simbolizar  e conceituar o que leh chega sob forma de percepção.


No seu modo egocêntrico e animista de pensar, a criança não admite a existência do acaso, já que relaciona todos os eventos a suas próprias experiências (Assumpção, Tratado de Psiquiatria).

 

Nesta fase, a idéia de morte ´e limitada e não envolve uma emoção em especial.


O pensamento mágico vai sendo substituiodo pelo raciocionio lógico e a morte para de ser vista como processo reversível e torna-se uma idéia de processo de deterioração do corpo irreversível; sem preocupação, porém com o que virá após a morte.

 

Aos 11 a 12 anos, há passagem do pensamento concreto para o pensamento abstrato, Estágio das Operações Formais (PIAGET , 2000). Nesta etapa surge a preocupação com a vida após a morte (Toress, 1999).

 

O jovem entra no mundo através de profundas alterações no seu corpo, deixando para trás a infância e e é lançado num mundo desconhecido de novas relações com os pais, com o grupo de iguais e co m o mundo.

 

Assim, invadido pó forte angústia, confusão e sentimento de que ninguéjm o intended, que está só e que é incapaz de decidir corretmente seu futuro.

 

Isso ocorre, principalmente, se o jovem estiver num grupo familiar também em crise, por separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo ou doença mental de um dos pais, doença física ou morte (Resmini, 1997).

 

O jovem que considera o suicídio comum a solução para seus problemas deve ser observado de perto, principalmente se estiver se sentindo só e desesperado, sofrendo a pressão de estressores ambientais, insinuando que é um fardo para os demais. Pode chegara dizer que a sua morte seria um alívio para todos.

 

FATORES DE RISCO

 

  • 90% dos jovens apresentam algum transtorno mental no momento do suicídio (e em 50% destes o transtorno mental já estava presente havia pelo menos 2 anos).
  • Agressividade e desesperança são os fatores mais comuns (Shaffer, 1996).
  • Comportamentos de risco: envolvimento em esportes radicais sem técnica e equipamentos adequados, dirigir embriagado, uso abusivo de drogas ilícitas, atividade sexual promíscua, brigas constantes e de gangues.
  • Fatores Cognitivos que indicam risco para uma primeira tentativa ou recorrência do comportamento suicido nesta população (Kuczynsky, 2003):
  1.         Desesperança
  2.         Menor potencial para geração de soluções alternativas para situações problemáticas interpessoais e menor felexibilidade para enfrentar situações problemáticas
  3.         Estilo de atribuição difuncional (considerar eventos negativos comode sua responsailidade, duradouros ou de impacto sobre todos os aspectos de sua vida) – freqüente associação com quadros depressivos de longa evolução
  4.         Impulsividade.
  • Violência Física e Sexual (Shaffer, 2001)
  • Fatores Sócio-Culturais: sucesso escolar (cobrança dos pais), mudanças sociais abruptas, acesso fácil a armas de fogo.

 

SUICIDIO E TRANSTORNOS DO HUMOR

 

Os transtornos mentais mais comumente associados ao comportamento suicida são depressão, mania ou hipomania, estados misots ou ciclagem rápida, transtornos de conduta e abuso de drogas (Shafer, 2001).

 

Mas crianças e adolescentes com humori irritável, agitação psicomotora, delírios, crise de violência súbidta e alucinações auditivas tambem apresentam alto risco de suicídio a curto prazo.

 

Num estudo prospectivo com adolescentes deprimidos, houve 50,75 %de tentativa e 7,7% suicídios cometidos na amostra de Weismman (1999).

 

Pacientes com Transtorno bipolar apresentam risco 10 vezes maior do que a população normal de cometer suicídio.

 

O grupo com miaior risco de suicídio é de homens jovens, em fase inicial da doença, principalmente que tenham feito um a tentativa prévia de suicídio, que abusam de álcool ou recém saídos de internação psiquiátrica. Risco maior também está nos pacientes com estados depressivos, misstos ou mania psicótica (Simspon e Jamison 1999).


Geller ET all (1998) observaram que sérias intenções  e pensamentos suicidadas ocorriam em 25,2% das crianças com transtorno bipolar estudadas.


Strober ETA AL (1995) em estudo prospectivo de 5 anos com adolescetnes com tanstorn obipolar notaram sérias tentativas de suicídio em 20,4% dos pacientes, principalmente naqueles com pouca adesão ao tratamento.

 

Quanto mais precoce o início do quadro de transtorno bipolar, mas grave é sua apresentaçaão e pior o seu prognóstico.

 

Estes pacientes apresentam mais sintomas psicóticos e maior incidência de fases mistas, aumentando o risco de tentativas de suicídio (Schurhoff etall 2000).

 

MITOS E VERDADE DE COMPORTAMENTOS SUICIDAS


Fonte: Lee  Fu-I (TR. Bipolar na Infância e Adolescência, pg74, 2007,)

 

MITOS

 

  • Quem quer se matar não avisa!
  • Um suicida quer realmente morrer?
  • Suicídio é covardia ou coragem?
  • O suicida tem que estar deprmidio?


VERDADES

  • 80% avisam que vão se matar!
  • O suicida não quer morrer e sim parar de sofrer!
  • O suicídio é visto como uma solução!

 

CASOS DE TENTATIVAS DE SUICÍDIO COM GRANDE RISCO DE NOVA TENTATIVA


  • Ainda com ideação suicida
  • Sexo masculino
  • Idade Superior a 16 nos
  • Falta de suporte familiar
  • Humor deprimido ou estado misto
  • Ansiedade Extrema
  • Uso concomitante de álcool e drogas
  • Agitação Psicomotora
  • Episódios de Violência direcionada a outras pessoas
  • Presença de sintomas psicóticos (alucinações e delírios)

 

RECOMENDAÇOES AO SE AVALIAR CRIANÇAS E ADOLESCENTES QUE TENTARAM SUICÍDIO


  • Todas as ameaças de suicídio devem ser encaradas com seriedade, mesmo quando possam parecer falasas ou manipulativas
  • Ajudar o cliente a avaliar a situação, permitindo que ele descubra novas soluções para seusofrimento, explorar com ele tais soluções e orientá-lo em direação a uma ação concreta.
  • Procurar compreender as razões pela qual a crinaça ou adolescente optou pelo suicídio como forma de lidar com seu sofrimento, não minimizando seus problemas e sofrimento
  • Transmitir esperança sem dar falsas garatntias e não fazer promessas que não possam ser cumpridas
  • Romper o isolamento em que vive o jovem e abordá-lo diretamente
  • Expressar disponibilidade de escutá-lo sem julgamento, evitar insultos, culpabilizaão ou repreensões morais.
  • Reconhecer a legitimidade do problema e tratá-lo como adulto
  • Avaliar a urgência do caso, verificar se as idéias de suicídio são freqüentes e se o jovem apresenta meios para executá-lo
  • Não deixar o cliente sozinho até que as providências sejam tomadas.
  • Desmentir o mito dde que os adultos não podem mais ajudá-lo
  • Envolver a família

(Adaptado de Bouchard, 2001,

 

QUESTÕES QUE AJUDAM A AVALIAR A INTENÇÃO SUICIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

  • Você já se sentiu chateado alguma vez em que desejou morrer?
  • Alguma vez você fez algo que sabia ser perigoso o bastante para você se machucar ou até mesmo morrer fazendo isto?
  • Alguma vez você tentou se machucar?
  • Alguma vez você já tentou se matar?
  • Você às vezes pensa em se matar?

(Adaptado de Jacobson, ETA AL 1994

 

SINAIS POSSIVEIS DE IDEAÇAO SUICIDA EM ADOLESCENTES COM TRANSTORNO BIPOLAR

  • Humor deprimido
  • Queda do rendimento escolar
  • Aumento do isolamento social
  • Perda de interesse em atividades que antes davam prazer
  • Mudança na aparência (negligência ou desleixo aos cuidados pessoais)
  • Preocupação com temas relacionados a morte
  • Aumento da irritabilidade, crises explosivas de raiva
  • Alteraçoes no comportamento
  • Desfazer de pertences
  • Uso de álcool ou drogas
  • Mudança no padrão do sono e/ou apetite
  • Uso de expressões verbais “auto-destrutivas”- “Queria morrer”
  • Não se importaem fazer planos para o futuro

(Fonte: Popolos e Papolos, 2002).