Belo Horizonte / MG - terça-feira, 19 de setembro de 2017

Depressão na Infância

Depressão na Infância


O transtorno mental que mais atinge pessoas no mundo  se aproxima das crianças, mas pode ser tratado e, quanto antes 

melhor.



A depressão infantil pode aparecer a partir dos 4 anos.



Pode aparecer sob noites mal-dormidas, dificuldade de socialização, tristea, alterações de humor, irritação e choro 

freqüente, sofrimento moral e sentimento de rejeição, atingindo todas as classes sociais, econômicas e culturais.


Nos próximos 20 anos, a depressão deverá se tornar a doença mais comum do mundo, atingindo mais pessoas do que o 

câncer e os problemas cardíacos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, mais de 450 

milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais diversos, a maioria delas nos países em desenvolvimento.



Entre as crianças, o índice de depressão também é preocupante. Nos últimos 10 anos, de acordo com a OMS, o número de 

diagnósticos em crianças entre 6 e 12 anos passou de 4,5 para 8%, o que representa um problema ascendente.


Etiologia (causas)


As causas para a depressão infanto-juvenil podem ser as mais diversas. Há fatores biológicos, como vulnerabilidade 

genética, complicações obstétricas e temperamento; fatores ambientais, como o funcionamento familiar, a interação entre 

mãe e criança ou eventos adversos de vida, e fatores sociais, como a pobreza, o suporte social ou o acesso a serviços de 

saúde. 



A convivência com uma psicopatologia dos pais e a experiência de episódios traumáticos nesta idade, como separação, 

luto ou mudanças radicais de ambiente, também podem ser fatores decisivos para o desencadeamento de transtornos 

mentais em crianças e adolescentes.

 

Setenta por cento dos adultos que apresentam quadro de depressão crônica têm histórico desde o período da infância. 

Ou seja, se não tratarmos o paciente enquanto criança, podemos contribuir para que ele se transforme em um adulto 

depressivo.


A origem da palavra infante vem de “aquele que não fala”.


Há relatos de depressão na infância, em 1928, Runke, falando sobre “mania Fantástica”.


Em 1861, Emil Kraepelin, grande psiquiatra que separou a psicose maníaco depressiva (atual transtorno bipolar)  da 


esquizofrenia (damentia praecox), descreveu casos de crianças com mania:  fuga, erotismo precoce e mitomania. 3% dos 


bipolares que Kraepelin estudou apresentaram sintomas iniciados antes dos 7 anos.



Psicose Maniaco depressiva, já chamada de “ciclofrenia”, descritas por Delasiave e Moreau em 1888.


Campbel relatou casos de depressão em crianças de 6, 7, 10 e 12 anos.


A Psiquiatria infantil foi reconhecida como área de atuação da Psiquiatria pela Medicina  apenas em 1999. Crianças não 

são economicamente ativas.

Segundo o Manual diagnóstico e estatístico IV da Associação Americana de Psiquiatria e pela Cassificação Internacional 

de Doenças, 1993, os principais critérios diagnósticos para depressão infantil são:



  • Maior sensibilidade

  • Choro fácil

  • Irritabilidade

  • Sintomas não verbais (somatização)

  • Comportamento Agressivo

  • Alterações abruptas no comportamento (Disforia).

  • Alterações do humor por mais do que 2 semanas

  • Cinco características abaixo com prejuízo funcional

(sendo pelo menos 2: redução do humor e perda do prazer)

  1. Alteraçoes no peso (aumento ou redução)

  2. Alteração no sono (redução ou aumento)

  3. Agitação Psicomotora ou Retardo psicomotor

  4. Redução da energia

  5. Dificuldade de concentração.

  6. Não provocado por doenças orgânicas ou medicamentos

Critérios pela CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, versão 10)

  • Redução do humor, energia e prazer (sintomas mais importantes)

  • Redução da concentração

  • Baixa estima

  • Alterações no sono e apetite

  • Idéias de culpa

  • Pessimismo

  • Idéias de auto-extermínio

  • Sintomas físicos

Para um melhor diagnóstico é importante atender a criança separada dos pais.


Prevalências ­­Diferentes nas diferentes faixas etárias:

Categoria

 

Faixa Etária

Prevalência de Depressão

(%)

 

Sintomas

Psicossomáticos

inibição afetiva, enurese (fazer xixi na roupa), encoprese (liberação das fezes), onicofagia (comer unhas) em excesso, manipulação genital excessiva, terror noturno (acordar de madrugada com medo, gritando), crises de choroexcessivo e pirraça, alterações gastro-intestinais, prurido

ruminações ou idéias e impulsos suicidas, idéias de inferioridade, cefaléia (dores de cabeça não localizada).

 

Pré Escolares

2 a 6 anos

0,9

 

 

Escolares

6-12 anos

1,9

 

 

Adolescentes

12 a 18 anos

4,7

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crianças menores têm dificuldade de localizar e expressar seus sentimentos com palavras. Jorffe criou o índice de 


Hamstead (Ajuriaguerra).

·         Tresteza sem perceber mal-estar

·         Retraimento e Desinteresse

·         Descontente, sem prazer.

·         Sentem-se rejeitadadas

·         Não aceitam ajuda ou consolo

·         Insônia

·         Auto erotismo (e outras repetições)

·         Maior dificuldae e contato com outras pessoas.

·         Angústia

·         Inibição

·         Insegurança

·         Agressividade

·         Enurese

·         Mutismo

·         Onicofagia (roer e comer unhas)


Há mais tempo se usava o termo “Depressão Mascarada”, pelo exagero dos sentimentos, dificuldade para dormir, 

medo aumentado de morrer. Auto imagem Negativa (é o mais comum).


Adolescentes (Características Diferentes por sexo)


  • Meninas apresentam mais idéias de ruminação, são mais tranqüilas e inibidas).

  • Meninos apresentam mais dificuldade de contato, isolamento, dificuldade de aprendizado, irritabilidade e 

  • agresssividde.

FATORES DESENCADEANTES 


Trauma – perda de objeto amado

Separações e perdas

Famílias desorganizadas.

Crianças que sofrem, são privadas de obter o prazer

Autoagressão (por identificação com o objeto idealizado).



Fracasso na Individualização (Psicanálise)

a)    Fase Pré_edipiana: simbiose com mãe “onipotente” – ego x ideal de ego, levando a inferiOridade e inadequaçãoà enfaquecimento do Ego

b)   Fase Edipiana – Culpa e Masoquismo moral com superego Punitivo (decepção quando o adolescente perde a o ideal de pai e mãeà rejeição de si).



BIBLIOGRAFIA


LURIC 1950, Depression

MAHLER 1961 Berler

Ajuriaguerra, J.

KANNER, 1972.

GRUNSPUN, H, 1965.

PIAGET 1936-1967

BENDER.

Winnicott – 1969-