Belo Horizonte / MG - segunda-feira, 24 de julho de 2017

Prevalência dos Transtornos Mentais


O estudo nacional de comorbidades (NCS) foi o primeiro dos EUA a estimar a prevalência de transtornos psiquiátricos específicos  com e sem comorbidades de uso de substâncias na população americana.


Seu objetivo era complementar os achados do ¨Epidemiologic Catchment Area” (ECA), mas este último era multicêntrico em várias cidades, ao contrario do NCS que foi realizado em uma área maior dos EUA- o NCS tinha um foco nacional.


O NCS mostrava fatores de risco assim como a prevalência e incidência, ao conrário do ECA que avaliou apenas as taxas encontradas no momento.

O NCS permitiu comparações regionais e utilizoau  o DSM III (Manual de diagnóstico e estatística III versão), o que permitiu uma melhor comparação com o DSMIV e com a classificação internacional de doenças (CID 10).


O NCS encontrou uma prevalência de transtornos mentais em um sexto da população americana.


Tabela de comparação entre o NCS (Estudo Nacional de Comorbidades) e o ECA (Epidemiologic Caatching Area)

 

Prevalência nos últimos 12 meses

Transtorno

NCS

ECA

Qualquer Transtorno Mental

27,7

20

Abuso de substâncias

16,1

Não avaliado

Abuso e dependência de Álcool

10.7 dependência apenas

2,41

Abuso e de pendência de drogas

3,8 dependência apenas

2,41

Esquizofrenia e transtornos esquizofreniformes

0,5 (0,1)

1.0

Transtornos do Humor

8,5

5,1

Episódio Maníaco

1,4

-

Distimia

2,1

2,3

Transtornos de Ansiedade

11,8

Não avaliado

Fobia Social

6,4

6,2

Pânico

1,3

0,9

Transtorno Obsessivo Compulsivo

Não avaliado

1,65

Personalidadeanti-social(durante avida)

4,8

1,2

PrejuízoCognitivo

Não  avaliado

1,3

  • Dados do ECA são de Robins, LN, Regier DA (ED) Pshychiatric Disorder in America. New Your, The Free Press.


  • Dados do NCS são de Kessler RC, McGonagle Ka, Zhao, et al: Lifetime and 12-month prevalence of DSM-II psychiatric disorder in The USA. Results from the National Comorbidity Survey. Arch Gen Pshychiatri 51:8-19, 1994.

Numa avaliação populacional, Breslau e outros demonstraram que o stress pós traumático ocorre em 9,2% da população exposta ao trauma.

 

A população não foi apenas menor do que a relatada anteriormente, mas as causas mais comuns foram a morte de um entre querido  -  e não os geralmente relatados guerra, estupro ou outros acontecimentos físicos sérios.


Bassuk e outros avaliaram a prevalência de transtorno mental e abuso de substâncias entre moradores de rua e sua baixa prevalência em mães com moradia fixa, em relação à prevalência destes transtornos entre todas as mulheres no NCS.

 

Encontraram, também uma menor prevalência de transtornos relacionados ao trauma do que a encontrada entre mulhres na população geral.


DIFERENÇAS ENTRE  POPULAÇÃO RURAL E URBANA


Um achado importante dos estudos epidemiológicos é a prevalência de alguns trasntornosmentais, principalmente esquizofrenia, encontrada em maior prevalência em áreas urbanas e industrializadas do que nas áreas rurais.


Algumas explicações foram sugeridas: migração social (a queda de nível social de famílias com portadores de esquizofrenia), endogamia entre pessoas com transtornos mentais e maior oferta de serviços para doentes crônicos  nas cidades.


Essas diferenças também podem mostrar uma relativa integração e estabilidade de áreas rurais.


Leighton e outros, em seu estudo na Nova Escócia rural, encontraram que a depressão e outros transtornos mentais eram mais comuns para todas as idades em comunidades “desintegradas”.


TRANSTORNO MENTAL, SAÚDE FÍSICA E FUNCIONAMENTO SOCIAL


Um estudo do ponto de prevalência da esquizofrenia em 3 regioes da Escócia foi realizado em 1996, replicando um estudo similar realizado em 1981.

 

Os pacientes estudados em 1996 tinham mais sintomas positivos e negativos e mais sintoas noão esquizofrênicos. Alguns dos sintoas encontrados envolviam a saúde física.


Um aumento do número de estudos epidemiológicos demonstrou que a depressão é um a grave doença por si própria e provoca severo prejuízo na saúde geral das pessoas.


O “Medical Outcome study” procurou cuidadosamente a associação  entre depressão, hipertensão, diabetes e doença coronariana.


Pacientes com depressão têm uma tendência a uma saúde física pior, pior funcionamento social, pior percepção da saúde e percepção aumentada de dor corporal.


O pior funcionamento social associado à depressão ou aos sntomas depressivos foi igual ou pior ao associado às 8 doenças clínicas mais comuns e os   da depressão foram aditivos áquelas.


Por exemplo, a combinação  de doença coronariana avançada e sintomas depressvos estava associaada com mais de duas vezes prejuizo socia e funcional.


A depressão é considerada um problema de saúde pública mundial, pelo grande prejuízo social, funcional, 2ª causa de afastamento do trabalho em 2011 (estimativa da OMS) e elevado risco de suicidio.


Spitzere autores encontrara que a depressão, ansiedade e transtornos somatoformes, além de trasnstornos alimentares são considerados de grande prejuízo na qualidade de vida.


Pacientes psiquiátricos foram hospitalizados em maior número de vezes por trauma, envenenamento ou sintomas indefinidos.


Homens foram internados principalmente por vários disturbios gastrointestinais e circulatórios e mulheres com transtorno mental comorbido foram internadas por problemas respiratórios, problemas da coluna, problemas ginecológicos ou aborto induzido.


Epilepsia, alterações de orgaos e do sensório e inflamações do intestino formam mais comuns em pacientes esquizofrenicos.


Pacientes com transtornos mentais são os que mais apresentam problemas físicos, sociais e vulnerabilidade a crimes, em um número pelo menos duas vezes maior do que a população normal.


CONCLUSÃO:  EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA E SAÚDE PÚBLICA

A Epidemiologia estuda os transtornos mentais num largo contesto biopsicossocial. Três tipos de fatores podem operar:

  • Vulnerabilidade
  • Aqueles que aumentam os isntomas
  • Aqueles que determinam quanto tempo uma doença vai durar

Os transtornos psiquiátricos ainda não têm uma etiopatogenia bem definida.


Fatores preditores de readmissão hospitalar foram estudados por Korkeila (1998): admissão préveia, longa duração da doença e diagnóstico de transtorno de psiquiátrico.


Bibliografia: Dan G. Blazer, MD, PHD in Pshychiatric Epidemiologic, Chapter 2  at Current; Diagnosis & Treatment , second Edition, 2008