Belo Horizonte / MG - domingo, 26 de março de 2017

Como Prevenir o Suicídio

Introdução

O suicídio é um grave problema de saúde pública
A prevenção do comportamento suicida é uma tarefa difícil, mas fundamental.
Como várias doenças mentais são associadas ao suicídio, a detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais na sua prevenção.
Importância da Prevenção - o Suicídio é (segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde) 
* Uma das três principais causas de morte entre pessoas entre 15 e 35 anos
* Tem aumentado o número de jovens que cometem o suicídio, em relação aos idosos, nos últimos 50 anos.
* Para cada suicídio, geralmente 5 ou 6 pessoas próximas ao falecido sofrem sérias consequências emocionais, sociais e econômicas
O Brasil encontra-se no grupo de países com taxas baixas 
de suicídio.
•  Essas taxas variaram de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes a cada ano, entre os anos de 1994 e 2004 
•  No entanto, como se trata de um país populoso, está entre 
os dez países com maiores números absolutos de suicídio (7.9.7 em 2004).
Tentativas de Auto Extermínio (Suicídio)
Os registros oficiais sobre tentativas de suicídio são mais escassos e menos confiáveis do que os de suicídio. 

Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes.



FATORES de Risco Para o Suicídio


Os principais fatores de risco são transtornos mentais e tentativa prévia de suicídio.
1) Transtornos Mentais em Ordem decrescente
      •  Transtornos do Humor (Depressão, transtorno bipolar)

      •  Transtornos decorrentes do uso de drogas (alcoolismo por exemplo)

      •  Transtorno de personalidade (principalmente borderline, narcisita e anti-social)
      •  Transtorno de Ansiedade

      •  Comorbidades potenciam riscos (alcoolismo + depressão) aumentam em muito o risco de suicídio.
2) Fatores sociais e demográficos
  •  sexo masculino
  •  idade: de 15 a 35 anos de acima de 75
  •  População Extremamente rica ou extremamente pobre
  •  Moradores de áreas urbanas
  •  Desempregados (principalmente com perda de emprego recente)
  •  Aposentados
  •  Isolamento Social
  •  Solteiros ou Separados
  •  Migrantes
3) Fatores Psicológicos
*  perdas recentes
•  perdas de figuras parentais na infância
•  dinâmica familiar conturbada

•  datas importantes

•  reações de aniversário
•  personalidade com traços significativos de impulsividade, agressividade, humor lábil

4) Doenças incapacitantes

•  doenças orgânicas incapacitantes
•  dor crônica
•  lesões desfigurantes perenes
•  epilepsia
•  trauma medular
* Neoplasias malignas 
* AIDS
Em quase todos os casos de suicídio, no mundo, os indivíduos apresentavam algum transtorno mental (segundo a Organização Mundial de Saúde)
MITOS sobre Suicídio
“Se  eu  perguntar  sobre  suicídio,  poderei  induzir  o paciente  a  isso.”  – Questionar  sobre  idéias  de  suicídio, fazendo-o de modo sensato e franco, aumenta o vínculo com o paciente. Este se sente acolhido por um profissional cuidadoso, que se interessa pela extensão de seu sofrimento. 


“Ele está ameaçando suicídio apenas para manipular.” – A ameaça de suicídio sempre deve ser levada a sério. Chegar  a esse tipo de recurso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda.

“Quem  quer  se  matar,  se  mata  mesmo.”  – Essa  idéia pode conduzir ao imobilismo terapêutico, ou ao descuido no manejo das pessoas sob risco. Não se trata de evitar todos os suicídios, mas sim os que podem ser evitados.

“Quem quer se matar não avisa.” –Pelo menos dois terços das pessoas que tentam ou que se matam haviam comunicado de alguma maneira sua intenção para amigos, familiares ou conhecidos.

“O  suicídio  é  um  ato  de  covardia  (ou  de  coragem)”–O que dirige a ação auto-inflingida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

“No  lugar  dele,  eu  também  me  mataria.”  – Há  sempre o  risco  de  o  profissional  identificar-se  profundamente  com aspectos de desamparo, depressão e desesperança de seus pacientes, sentindo-se impotente para a tarefa assistencial. Há também o perigo de se valer de um julgamento pessoal subjetivo para decidir as ações que fará ou deixará de fazer.


COMO AJUDAR PESSOAS SOB RISCO DE SUICÌDIO


Uma abordagem calma, aberta, de aceitação e de não-julgamento é fundamental para facilitar a comunicação.

  • Ouça com cordialidade.
  • Trate com respeito.
  • Empatia com as emoções.
  • Cuidado com o sigilo.
Como se comunicar  
•  Ouvir atentamente, com calma.
•  Entender os sentimentos da pessoa (empatia).
•  Dar mensagens não verbais de aceitação e respeito.
•  Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores da pessoa.
•  Conversar honestamente e com autenticidade.
•  Mostrar sua preocupação, seu cuidado e sua afeição.
•  Focalizar nos sentimentos da pessoa.
Como não se comunicar 
•  Interromper muito freqüentemente.
•  Ficar chocado ou muito emocionado.
•  Dizer que você está ocupado.
•  Fazer o problema parecer trivial.
•  Tratar  o  paciente  de  uma  maneira  que  possa  colocá-lo 
numa posição de inferioridade.
•  Dizer simplesmente que tudo vai ficar bem.
•  Fazer perguntas indiscretas.
•  Emitir julgamentos (certo x errado), tentar doutrinar.
É FUNDAMENTAL TRATAR DIAGNOSTICAR E TRATAR AS DOENÇAS MENTAIS DE PESSOAS SOB RISCO DE SUICÌDIO
* Depressão e Transtorno BIpolar 
* Esquizofrenia
* Transtornos de Personalidade
* Transtornos secundários ao uso de drogas
PESSOAS QUE PENSAM EM SE MATAR GERALMENTE FALAM SOBRE ISSO. 

ATENÇÂO a quem apresenta:
1.  comportamento  retraído,  inabilidade  para  se  relacionar com a família e amigos, pouca rede social
2.  doença psiquiátrica
3.  alcoolismo
4.  ansiedade ou pânico
5.  mudança  na  personalidade,  irritabilidade,  pessimismo, depressão ou apatia
6.  mudança no hábito alimentar e de sono
7.  tentativa de suicídio anterior
8.  odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha
9.  uma perda recente importante – morte, divórcio, separação
10. história familiar de suicídio
11.desejo súbito de concluir os afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento
12. sentimentos de solidão, impotência, desesperança
13.cartas de despedida
14.doença física crônica, limitante ou dolorosa 
15. menção repetida de morte ou suicídio.
PACIENTES COM ALTO RISCO DE SUICIDIO
A pessoa tem um plano definido, tem os meios para fazê-lo e planeja  fazê-lo  prontamente.  Muitas  vezes  já  tomou  algumas 
providências prévias e parece estar se despedindo. 
O QUE FAZER ?
•  Estar junto da pessoa. Nunca deixá-la sozinha.
•  Gentilmente falar com a pessoa e remover pílulas, faca, arma,  venenos,  etc. (distância  dos  meios  de  cometer suicídio).  Explicar  que  você  está  ali  para  ajudá-la,  protegê-la  e  que  no  momento  ela  parece  estar  com  muita dificuldade para comandar a própria vida. 
•  informar a família e reafirmar seu apoio, já descritos.
•  Se onde você trabalha o psiquiatra não está acessível ou não tem hospitalidade diurna e noturna, esta é uma situação de emergência. Entre em contato com um profissional da saúde mental ou do serviço de emergência mais próximo. Providencie uma ambulância e encaminhe a pessoa  ao  pronto-socorro  psiquiátrico,  de  preferência. 

Explique  ao  profissional  que  irá  recebê-la  o  resultado da sua avaliação, pois é indispensável que ele entenda o motivo do encaminhamento. Além do mais, você já conse guiu obter informações importantes. 



•  Se no local em que você trabalha pode ser feita a avaliação psiquiátrica ou existe hospitalidade diurna e noturna, um acolhimento pode ser feito, seguido de investigação inicial e posterior tratamento.

Tente convencer a pessoa a permanecer no serviço para receber ajuda e os cuidados necessários. Mesmo em um ambiente protegido, ela 
deverá  ficar  sob  maior  observação,  pois  ainda  existe  o risco de ela tentar o suicídio utilizando os meios que estiverem ao seu alcance. 

Se  você  esgotou  todas  as  tentativas  de convencimento  do  paciente  para  uma internação voluntária e percebe um risco de suicídio iminente, peça ajuda da família, pois  uma  internação  involuntária  poderá ser necessária.

•  Ouvir, mostrar empatia, e ficar calmo.
•  Ser afetuoso e dar apoio.
•  Levar a situação a sério e verificar o grau de risco.
•  Perguntar sobre tentativas anteriores.
•  Explorar as outras saídas, além do suicídio.
•  Perguntar sobre o plano de suicídio.
•  Ganhar tempo – faça um contrato.
•  Identificar outras formas de dar apoio emocional.
•  Remover os meios pelos quais a pessoa possa se matar. 
•  Tomar atitudes, conseguir ajuda.
•  Se o risco é grande, ficar com a pessoa.
O que não fazer
•  Ignorar a situação.
•  Ficar chocado ou envergonhado e em pânico.
•  Tentar  se  livrar  do  problema  acionando  outro  serviço  e 
considerar-se livre de qualquer ação.
•  Falar que tudo vai ficar bem, sem agir para que isso acon
teça.
•  Desafiar a pessoa a continuar em frente.
•  Fazer o problema parecer trivial.
•  Dar falsas garantias.
•  Jurar segredo.
•  Deixar a pessoa sozinha.
REFERENCIAS
Prevenção do Suicídio - Manual dirigido a profissionais - das equipes de saúde mental
Ministério da Saúde - Secretaria de Atenção à Saúde - Departamento de Ações Programáticas Estratégicas
Área Técnica de Saúde Mental - www.saude.gov.br
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - Faculdade de Ciências Médicas
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)
Organização: Carlos Felipe D’Oliveira e Neury José Botega
Equipe técnica responsável pela elaboração do texto: Carlos Filinto da 
Silva Cais e Sabrina Stefanello
Revisão técnica: Carlos Felipe D’OIiveira e Beatriz Montenegro Franco 
de Souza
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