Belo Horizonte / MG - domingo, 26 de março de 2017

Anorexia nervosa

O Termo anorexia deriva do grego e indica “sem apetite” e uma palavra latina implicando origem nervosa.  O termo anorexia é tecnicamente incorreto, porque a perda de apetite raramente ocorre nos estágios iniciais da doença. (DSMIV TR).

Anorexia é uma síndrome caracterizada por três critérios fundamentais: dieta exagerada provocada por si mesmo em um grau avançado, sensação de estar gorda ou um desejo incontrolável de emagrecer e o terceiro é a presença de sinais e sintomas de inapetência.

Geralmente está associada a alterações da imagem corporal, como a percepção de estar acima do peso, por mais que a cliente esteja magra.

È umdistúrbio onde a pessoa se recusa a manter um peso clinicamente normal, intenso medo de ganhar peso e significativa percepção corporal alerada (dismorfofobia).

 

Entrevista com a médica psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva sobre Transtornos Alimentares, tema do livro de sua autoria Mentes Insaciáveis: anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Programa:

 

Metade dos anoréxicos perdem peso pela redução drástica da ingesta calórica. A outra metade não apenas faz dieta mas regularente apresena “binge” ou comer compulsivo seguidos por comporametos purgativos (vomitar) ou usar laxantes. Alguns pacientes rotineiramente têm comprtamentos purgativos depois de comerem pequuenas quantidades.

Anorexia é muito mais comum em mulheres do que em homens e tem seu inicio na adolescência. Sintomas bulímicos (comer exageradamente ) podem ocorrer separadamente ou como um transtorno separado.  

Tanto bulímicos quanto anoréxicos são pessoas excessivaente preocupadas com peso, comida e forma do corpo.

O curso da anorexia vai da recuperação expontânea até os casos graves de desnutrição que levam à morte.

EPIDEMIOLOGIA – Distúrbios alimentares de vários tipos têm sido relatados in maisde 4% dos adlescentes e jovens adultos.

A Anorexia nervosa era mais comum em algumas décadas atrás, com o aumento do relato do transtorno em garotas e garotos pré-púberes atualmente.

De acordo com o DSM IV TR (Manual de Diagnóstico e Estatística),prevalência em jovens  a idade mais comum de início é entre 14 e 18 anos.

Acomete 0,5 a 1% das garotas na adolescência,

É de dez a vinte vezes mais comum em mulheres.

Não há distinção de classes sociais, como se pensava no passado.  É Mais comum em algumas profissões como modelo e bailarina que requerem corpo esguio.

COMORBIDADES – Anorexia é associada com depressão em 65% dos casos, fobia social em 34% dos casos e transtorno obsessivo compulsivo em 26% dos casos.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS 

1)      Recusa em manter o peso corporal abaixo do considerado normal para determinada idade e altura (exemplo – perda de peso que leva a um peso corporal abaixo de 85% d peso esperado ou falha em atingir o peso adequado durante o período de crescimento)

2)      Intenso medo de ganhar peso e se tornar obeso, mesmo estando abaixo do peso

3)      Distúrbio da percepção da imagem corporal (alteração da forma como se vê no espelho (acredita estar acima do peso, ou com forma alterada)

4)      Em mulheres pós menarca, amenorréia (ausÊncia de três ciclos menstrulais)

5)      Tipos específicos:

a.       Restritivo: a pessoa não se envolve em “orgias alimentares” seguidas de comportamentos purgativos (laxantes ou enemas ou vômitos)

b.      “Bing-eating”-comer compulsivo- Tipo Pugativro: o paciente se envolve em verdadeiras “orgias alimentares”  ou comportamento purgativo, como vômitos auto indusido ou uso de laxantes, diuréticos ou enemas).

DIAGOSTICO E ACHADOS CLINICOS

Geralmente a anorexia se inicia entre os 10 e 30 anos e está presente quando  preenche os critérios diagnósticos citados acima.

Um medo intenso de ganhar peso e se tornar obeso esá presente em todos os pacientes com anorexia, o que contribui em seu desinteresse pelo tratamento e por terapia.

Pacientes anoréxicos geralmente se recusam a comer com a família ou em lugares públicos.

 Eles perdem peso drasticamente reduzindo a ingestão de comida com uma intensa redução no consumo de carboidratos e comidas gordurosas.

Os pacientes abusam de laxantes, diuréticos e atividade física exagerada como pedalar, caminhar correr ou caminhar em excesso.

Estes pacientes espalham comida por toda a casa e às vezes são pegos com guloseimas nos bolsos. Geralmente negam o comportamento e a doença.

Vão ao médico apenas quando a perda de peso se torna aparente, com sinais de hipotermia (temperatura de 35º centigrados), edema, bradicardia, hipotensão e lanugo (pelos como o de recênm nascidos) e várias alterações metabólicas.Muitas mulheres têm amenorréia ealcalose hipokalêmica por vômitos sucessivos.

Alterações típicas do eletrocardiograma são inversão da onda T, depressão do segmento ST e prolongamento do intervalo QT. A perda de potássio pode levar à morte.

COMPLICAÇÕES MÉDICAS DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES

1)      RELACIONADAS À PERDA DE PESO:

a.       Caquexia: perda de gordura, massa muscular, redução do metabolismo (síndrome do baixo T3), intolerância ao frio e dificuldade em manter a temperatura corporal basal

b.      Aparelho Cardiovascular: perda de músculo cardíaco, coração pequeno, arritimias cardíacas (contrações atriais e ventriculares prematuras, QT prolongado, taquicardia ventricular e morte súbita

c.       Gastrointestinal: Demora do esvaziamento gástrico, constipação, dor abdominal

d.      Sistema Reprodutor: amenorréia, baixos níveis de LH e FSH, redução da libido

e.      Pele: lanugo e edema

f.        Sangue: leucopenia

g.       Neuropsiquiatrico: paladar alterado (baixa de zinco?), depressão apática, déficit cognitivo moderado

h.      Sistema ósseo: osteoporose

2)      Relacionados à purgação (vômitos e abuso de laxativos)

a.       Metabólico: anormalidades eletrolíticas, hipokalemia (perda de potássio por vômitos), alcalose hipocloremica, hipomagnesemia

b.      Digestiva: inflamação de glandulas salivares e pancreatite, com aumento da amilsae sérica, erosão gástrica e esofágica, intestino disfuncional com dilatação austral

c.       Dentes: erosão de dentes, principalmente frontais

d.      Neuropsiquiátricos: convulsões (distúrbios do magnésio), neropatias moderadas, fadiga e fraqueza, déficit cognitivo moderado.

CURSO E PROGNÓSTICO – Boa resposta a internação médica de curto prazo.

Estudos americanos de acompanhamento por 10 anos mostram que um quarto dos pacientes se recuperam completamente e outra metade tem prejuízo funcional importante. 

O outro quarto inclui os 7% que morrem e aqueles que ficam com prejuízos sociais e funcionais.

Estudos Suecos e ingleses de 20 e 30 anos de acompanhamento mostra uma taxa de mortalidade de 18%.

TRATAMENTO

1)      HOSPITALIZAÇÃO – para recuperar o estado nutricional do paciente, com reposição de nutrientes e eletrólitos – a caquexia e as alterações metabólicas podem causar morte.  Indicada para pacientes com perda de mais de 30% do peso esperado para sua altura.

2)      Psicoterapia e terapia familiar

3)      Farmacoterapia – Alguns estudos indicam o uso de cipro-heptadina (Periatin), um medicamento anti-histaminico e antiserotoninérgico que aumenta o apetite para casode pacientes com anorexia do tipo restritiva. A amitiptilina também mostrou algum beneficio. Há alguma evidência de eficácia com clorpromazina, pimozide e clomipramina. Alguns estudos apontam a fluoxetina eoutros antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina. Cautela ao usar tricíclicos pelo risco de arritmia cardíaca e hipotensão nestes pacientes de tão baixo peso.

 

Percepção de familiars sobre a anorexia e bulimia - Revisão Sistemática em português

Espíndola, Cybele Ribeiro and Blay, Sérgio Luís

Revista de Saúde Pública – www.scielo.br

Rev. Saúde Pública, Ago 2009, vol.43, no.4, p.707-716

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102009000400018&lng=pt&nrm=iso