Belo Horizonte / MG - quarta-feira, 24 de maio de 2017

Autismo - sinais e sintomas

Autismo Infantil – Sinais e Sintomas

Fonte: Camargos, W e col., Transtornos Invasivos do desenvolvimento, 2002, 1ª Ed, Ed. Corde

 

Para saber mais, veja o Suplemento Autismo e transtornos invasivos do desenvolvimento, da Revista Brasileira de Psiquiatria, 2006, suplemento1: gratuitamente em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1516-444620060005&lng=pt&nrm=iso 

HISTÓRICO – Em 1906, Plouller introduziu o adjetivo autista na literatura psiquiátrica ao estudar pacientes com demência precoce (atual esquizofrenia). Bleuer, em 1911, foi o primeiro a difundir o termo autismo, definindo-o como perda de contato com a realidade, causada pela impossibilidade ou grande dificuldade na comunicação interpessoal.

Ele referiu inicalmente o termo autismo como transtorno básico da esquizofrenia (os 4 “A”s de Bleuler: autismo, avolição, ausência de afeto e afrouxamento dos nexos associativos), que consistia na limitação das relações pessoais e com o mundo externo, parecendo excluir tudo que parecia ser o “eu “ da pessoa.

Leo Kanner, em 1943, escreveu um trabalho “alterações autísticas do contato afetivo, que diferenciou o autismo de outras psicoses graves na infância. Utilizando o termo difundido por Bleuler para designar a doença de que todos ouvimos falar. Examinando onze crianças de classe média amercan, com problemas graves do desenvolvimento, bonitas e inteligentes, ele definiu dois critérios que seriam o eixo desta recém descoberta doença: a solidão e a insistência obsessiva na infância.

Referindo-se à solidão autística, Kanner escreve: “o transtorno principal destas crianças desde o começo de suas vidas é a incapacidade para se relacionar com as pessoas e situações. Em relação ao comportamento repetitivo, “os sons e movimentos da criança são tão monotonamente repetitivos com suas emissões verbais.

Existe uma marcada limitação da diversidade de suas atividades espontâneas. Kanner conclui que essas crianças vieram ao mundo com uma incapacidade inata para formar os laços normais de origem biológica, de contato afetivo com outras pessoas.

Asperger (1944), quase na mesma época que Kanner também diferenciou um grupo de crianças com retardo no desenvolvimento sem outras características associadas ao retardo mental e deu o nome de “psicopatia autística” a esta doença. Asperger via um melhor prognóstico nas crianças com maior quociente intelectual.

Reutter, 1967, considerou quatro características fundamentais pra ao diagnóstico de autismo:

1)   Falta de Interesse Social

2)   Incapacidade de Elaboração da Linguagem Responsiva

3)   Presença de conduta motora bizarra em padrões de brinquedo bastante limitado

4)   Início precoce, antes dos trinta meses

Autismo foi definido pelo Conselho Consultivo Profissional da Sociedade Nacional para crianças e adultos com autismo dos EUA (RIvo e Freedman em 1978) como uma síndrome que aparece antes dos trinta meses e que possui as seguintes características:

  • Distúrbios nas taxas e sequências do desenvolvimento
  • Distúrbios nas respostas a estímulos sensoriais
  • Distúrbios na fala, linguagem e capacidade cognitiva
  • Dificuldade em relacionar-se com pessoas, eventos e objetos.

A CID 9 (Classificação internacional das doenças versão 9) classificava o autismo com psicose (OMS 1993) e no DSM-IV (APA, 1995) passou a ser considerado um distúrbio global do desenvolvimento, retirado do eixo II (Prognóstico pobre) e entraram no Eixo I (Distúrbios mais episódicos e transitórios)

EPIDEMIOLOGIA – O autismo ocorre em  4  casos para cada 10.000 habitantes – a prevalência de transtornos invasivos de desenvolvimento sem outra especificação pode ser de até uma criança em 200 (Lewis, 1995). O autismo é mais  comum em meninos (4) para cada menina. As meninas, porém, quando afetadas, apresentam uma forma mais grave da doença. A maioria dos autistas funciona dento da faixa do retardo mental (Lewix, 1995, Kaplan e Sadocok, 1993). Não há alteração em relação de prevalência quanto a classes sociais.

QUADRO CLÍNICO – Os sintomas surgem antes dos 3 anos. Verifica-se comprometimento qualitativo na interação social recíproca. Falta respostas  para emoções de outras pessoas, há uso insatisfatório de sinais sociais e uma fraca integração dos comportamentos sociais, emocionais e de comunicação. O sinal mais precoce, já descrito por Kanner em 1943 é o de bebês autistas que não estendem os braços para serem levantados por seus pais.

Segundo a CID 10 (OMS 1993): Classificação Internacional das Doenças 10ª edição

·         Padrões de comportamento, atividades e interesses restritos, repetitivos e estereotipados

·         Tendência de vinculação a objetos comuns, tipicamente rígidos

·         A criança tende a insistir em rotinas e rituais de caráter não funcional

·         Interesses por datas, itinerários e estereotipias motoras em alguns casos.

·         Medos, fobias, alterações do sono e da alimentação

·         Ataques de birras e agressão

·         Quando há retardo mental associado, é comum a auto-mutilação

·         Prejuízos na comunicação e Linguagem Severos (Rutter, 1967)

·         Pobreza de jogos imaginativos

·         Não utilização e compreensão dos gestos

·         Não utilização da linguagem com objetivo de comunicação social

·         Respostas Estereotipadas ou ecolalia

·         Hiper ou hiporreação a estímulos sensoriais com luz, dor ou som

·         Não identificação de perigos reais como veículos em movimento ou grandes alturas.

·         Olhar vago e distante

·         Maneirismos, movimentos de balanceio com a cabeça e com o corpo, risos e choros imotivados

·         Fascinação por movimentos giratórios

A) ISOLAMENTO AUTÍSTICO

Incapacidade grave de desenvolver relações pessoais desde os primeiros anos, já percebida com a figura materna. Na primeira infância, observa-se a ausência de uma atitude de antecipação, permanecendo com conduta rígida. Por exemplo, ao ser pego pela mãe, não volta a cabeça ara ela nem estende os braços.

Ajuriaguerra (1991) salienta que os principais marcos do despertar psicomotor do primeiro ano de vida estão modificados: ausência do sorriso social (terceiro mês) e ausência de reação de angústia diante do estranho (oitavo mês).

A criança pode ser indiferente aos outros, ignorando-os e não reagindo à afeição e ao contato físico.

As crianças autistas podem não procurar ser acariciadas e não esperar ser reconfortadas pelos pais quando têm dor ou quando têm medo.

Em algumas crianças ocorre uma falta de contato visual (o bebê não olha para a mãe nem mesmo ao ser amamentado; não explora visualmente os objetos; prefere colocar na boca ou cheirar); entretanto, outras mantêm um contato visual que tem uma característica diferente, causando muitas vezes a impressão de que o olhar atravessa a outra pessoa.

Essas crianças demonstram uma inaptidão para brincar em grupo ou para desenvolver laços de amizade.

 Não participam de jogos cooperativos, mostram pouca emoção, pouca simpatia ou pouca empatia (colocar-se no lugar do outro).

Na medida em que crescem, pode haver maior ligação, mas as relações sociais permanecem superficiais e imaturas.

B) CONDUTAS MOTORAS

Grande parte dos pacientes autistas tem uma motricidade perturbada por movimentos repetitivos e complexos (estereotipias). Os mais comuns envolvem mãos e braços, mexendo-os frente aos olhos ou batendo palmas no mesmo rito, independente do momento ou espaço em quee se encontram.

Balanceio do tronco e o corpo inteiro, além de bater a cabeça repetidamente podem ser observados.

Geralmente andam sobre as pontas dos pés. O farejamento é tido com uma conduta particular, na qual a criança cheira os objetos, as pessoas, os alimentos dos quase se aproxima ou toca.

Estado perpétuo de agitação, no qual a criança sobe nas mesas e outros móveis, sem temor ou noção de risco, assim como pode haver casos com inibição motora, ás vezes acompanhada de uma inabilidade gestual, comportamentos automutiladores, como arrancar os cabeos, baer-se ou morder-se (casos mais graves).

C) LINGUAGEM E HABILIDADES PRÉ-VERBAIS

As habilidades pré-linguisticas estão prejudicadas na criança autista: não apresentam a imitação social tão importante para o desenvolvimento da linguagem (dar tchau, jogar beijinhoes e imitar os pais, utilizar os brinquedos em atividades de faz de conta, não apresentam mímica e gestos para se comunicar).

Metade dos autistas nunca falam e, emitem poucos sons ou resmungos. Quando a linguagem se desenvolve, não tem tanto valor de comunicação e geralmente se caracteriza por uma ecolalia imediata e/ou retardada, repetição de frases estereotipadas, inversão pronominal (utilização do pronome “ele” quando a significação é “eu”), ou ainda, uma afasia nominal.

Anomalias na melodia, que tem um aspecto cantado. Algumas crianças conseguem reter completamente as palavras de uma canção sem outra linguagem além disso, sendo freqüente o cantarolar.

Aparecem também esterotipias verbais, neologismos bizarros eum verbalismo solitário.

Em outros casos a criança dá mostras de um extremo domíno verbal, aprende páginas do dicionário, até línguas estrangeiras (mas são casos raros mais característicos da síndrome de Asperger, onde o QI é mais elevado, também chamado Autsmo de alto funcionamento).

A linguagem, não tem uma verdadeira função de comunicação com o outro.

Quando querem atingir um objeto, os autistas pegam a mão ou o punho e um adulto, mas raramente eles o apontam e acompanham seu pedido de um gesto simbólico ou de uma mímica.

D) DISTÚRBIOS DAS FUNÇÕES INTELECTUAIS

70% dos autistas têm algum grau de retardo mental. Se o Qi (quociente intelectula)  for muito baixo, pior o prognóstico, o que significa que é pouco provável que aprendam a falar ou que trabalhem. O aspecto social também fica mais prejudicado, assim como aumentam as tendências automutilatórias e as estereotipias motoras, quanto mais baixo for o QI. (Ajuriaguerra (1991). É mais freqüente a epilepsia em pacinetes autistas.

E)  ALTERAÇÕES AFETIVAS

O humor dos autistas é imprevisível e pode se alterar de um instante para outro, passando do riso incontrolável e aparentemente sem razão, aos choros inexplicáveis.

As emoções entram, frequentemente em contradição com a situação (Leboyer, 1987). Um autista ri numa situação de estresse, por exemplo.

Se o autista adquire alguma forma de linguagem, ele continua incapaz, não somente de exprimir seu afeto, mas também de perceber a emoção ou os sentimentos dos outros.

Crises de cólera, intolerância às frustrações e automutilações são reações frequententes. A angústia é massiva, acarretando uma ruptura na continuidade psíquica da criança, que provavelmente experimenta, então, uma vivência de rompimento ou de aniquilação.

F)   DISTURBIOS PSICOSSOMÁTICOS

Distúrbios do sono são muito comuns e de dois tipos. Na insônia calma, o bebê mantém os olhos abertos no escuro, sem dormir, sem relclamar a presença da mãe. Na insônia agitada, a criança grita, agita-se, clama sem poder ser acalmada durante horas todas as noites.

Os distúrbios alimentares precoces também são freqüentes. Podem acontecer falta de sucção, anorexia, recusa da mamadeira ou do seio, vômitos repetidos. Tanto os distúrbios do sono como os de alimentação aparecem desde o primeiro semestre.

Os distúrbios esfincterianos (enurese, encoprese) podem ser primários ou secundários, permanentes ou intermitentes, ritmados pelos momentos evolutivos, pelas fases de ansiedade e pelas separaçõess.

É habitual o atraso na aquisição do asseio, mas se observa, inversamente um asseio adquirido muito precocemente em alguns casos.