Belo Horizonte / MG - quinta-feira, 27 de abril de 2017

Avaliação Geriátrica Global (AGG)

Avaliação Geriátrica Global


Este termo foi difundido a partir do fim da década de trinta com os trabalhos da médica geriara Mamory Warren, britânica, que demonstrou a correlação do diagnóstico correto dos problemas médicos com as melhores possibilidades de reabilitação, recuperação funcional e redução das taxas de institucionalização (1).

 


Busca avaliar o idoso quanto a doenças,  perfis físico, cognitivo, emocional, social, econômico, funcional e ambiental.


Objetivos da AGG

  • Melhorar a acurácia diagnóstica
  • Criar planos de intervenção preventiva, terapêutica e de reabilitação
  • Medir os resultados das intervenções (qualidade de vida, melhora de autonomia, melhora da qualidade de vida, independência)
  • Manter acompanhamento a longo prazo
  • Prognosticar resultados
  • Avaliar a necessidade de recursos comunitários
  • Acompanhar emongo prazo o curso clínico das doenças de modo mais preciso


A AAG é multidimensional e utiliza instrumentos quantitativos (escalas e testes), qualitativos, avaliação multidisciplinar (geriatra, neurologista, oftalmologista, otorrinolaringologista, neuropsicólogo, fisiatra, psiquiatra, geriatra e nutricionista) da capacidade funcional, avaliação psicológica e social, propõe intervenção (internação, reabilitação ou aconselhamento) eo o seguimento dos resultados (2). Compõe-se de:

  • Anamnese detalhada (descrição da história clínica tradicional, múltiplas alteraçoes físicas, cognitivas e comportamentais)
  • Exame físico e Neurológico
  • Avaliação Neuropsicológica
  • Avaliação da visão e Audição
  • Exame psiquiátrico e do estado mental
  • Marcha, estado nutricional, habilidades para atividades de vida diária (AVD)
  • Fatores socio-ambientais

AVALIAÇÃO CLÍNICA


  • Escutar, sempre que possível  o paciente, antes do cuidador
  • Relação dos medicamentos prescritos e se está utilizando corretamente
  • Dieta
  • Alcoolismo, Tabagismo e intoxicações
  • Doenças sistêmicas e neurológicas prévias
  • Cirurgias prévias, imunizaçãao e alergias
  • Cronologia dos fatos (avaliar o prejuizo fucional)
  • Personalidade prévia, nível educacional, história ocupacional e social

ANAMNESE ESPECIAL

  • Síndromes Geriátricas mais comuns no Idoso:

Incapacidade cognitiva,

instabilidade,

incontinência

imobilidade e iatrogenia (3)

  • História familiar para demência, depressão e neoplasia
  • Fatores de risco para doença cardiovascular

EXAME FÍSICO

  • Ectoscopia, peso, pressão arterial, exame neurológico, da visão da audição, cavidade oal, pele, marcha, equilíbrio, toque retal, mamas e ginecológico
  • 90% dos idosos apresentam algum comprometimento visual (fator de risco para delirium e quedas). O problema visual mais comum é a presbiopia.


  • Audição: hipoacusia éa perda ou dimnuição consideráel da audição. Na entrevista percebe-se uma aparente dificuldade de compreensão que requer a intervenççao do acompanhante. O cerume é  uma das causas mais comuns. 50% das pessoas acima de 75 anos apresentam presbiacusia, com diminuição da percepççao de tons agudos, dificuldade de discriminar palavras e RECRUTAMENTO (intolerância a sons altos e distorção sonora).


MOBILIDADE, EQUILIBRIO E MARCHA

  • Mobilidade – capacidade de mudar de decúbito, transferir-se e levantar –se. Além de assentar em uma cadeira, deambular e alterar o curso da marcha
  • A marcha é influenciada pelo adequado funcionamento do sistema nervoso, musculo esquelético, cirulatório, respiratório vestibular e da visão.
  • Teste de Levantar e andar: levantar de uma cadeira sem apoiar os braços e deambular três metros. Retornar e sentar novamentoe
  • Teste de levantar e Andar cronometrado:  normal, 20 segundos ,dependente, 30 segundos


ESTADO NUTRICIONAL

 


  • Desnutrição protéico calórica leva a perda de massa corporal. A etiologia pode ser por compromentimento congitivo, reduççao do paladar, problemas odontológicos, imobilidade, dificuldade de deluitião, dor e medicamneots, fatores psicossociais (baixa escolaridade, depressão, alcoolismio, negligencia e pobreza)
  • Indice de massa corporal (IMC): peso/altura ao quadrado (normal entre 22 e 27
  • Medida da CIRCUNFERÊNCIA DA PANTURRILHA: menor do que 31 cm indica risco nutricional e sarcopenia
  • Avaliação laboratorial: indicativos de desnutrição (albumina < 3,5, transferrina <200mg/dl, linfócitos totais <1800/mm3, colesterol total <130mg/dl), dosar vitamina B12 e ácido fólico

AVALIAÇÃO DO  HUMOR


  • A depressão é uma das doenças mais comuns, menos diagnosticadas e mais debilitantes entre os transtornos neuropsiquiátricos tratáveis em idosos.
  • Não tratar a depressão em idosos aumenta os gastos com a saúde, piora sua capacidade funcional e qualidade de vida, aumenta sintomas médicos (dores), uso excessivo e inadequado de medicamentos, prejuízo cognitivo, abuso de substâncias e drogas (álcool e benzodiazepínicos), anorexia, descuido com higiene, hospitalização prolongada, aumento do risco de suicídio e mortalidade (4)

ESCALA GERIÁTRICA DE DEPRESSÃO (GDS)  - especificidade: 83%, SENSIBILIDADE: 86% (5)

Esocolha a resposta que mais se parece com o que o (a) senhor (a) está sentindo

Você está  satisfeito com sua vida?

Você se aborrece com frequência?

Você se sente um inútil nas atuais circunstâncias?

Você prefere ficar em casa a sair e fazer coisas novas?

Você sente que sua situação não tem saída?

Você tem medo de que algum mal vá lhe acontecer?

Você perdeu a esperança?

Você acha maravilhos estar vivo?

Você sente que sua vida está vazia?

Você sente que a maioria das pessoas está melhor do que você?

Você se sente com mais problemas de memória que a maioria?

Você deixou muitos de seus interesses e atividades?

Você se sente de bom humor a maior parte do tempo?

Você se sente cheio de energia?

Você se sente feliz a maior parte do tempo?

 

AVALIAÇÃO DA COGNIÇÃO



Mini exame do estado Mental (MEEM): Sensibilidade de 83% e especificidade de 82% para detecção de demência  (escores abaixo de 24 são considerados anormais) (6)

ORIENTAÇÃO (1 ponto para cada acerto)

  • Temporal: dia da semana, mês, ano, hora aproximada
  • Espacial: local específico,instituição, bairo, cidade, estado

´pontos

5

5

MEMÓRIA IMEDIATA:  vaso, carro tijolo

3

ATENÇÃO E CÁLCULO: 100-7

5

EVOCAÇÃO – recordar as 3 palavras

3

LINGUAGEM

*Nomear um relógio e uma caneta     

* Repetir “ nem aqui, nem ali nem lá”

* Comando: pegue este papel com a mão direita, dobre ao meio e coloque no chão

* Ler e obedecer: Feche os olhos

*Escrever uma frase

* Copiar um desenho

 

1

3

1

1

1

1

 

ESCORE 30

30

SOLETRAR

  • Soletre a palavra “mundo” de trás para frente

 

5

ESCORE 35

35

(7)

 


Instrumentos de rastreio a serem associados ao MEEM: teste de fluência verbal semântica (categoria animais) , Teste do relógio, teste de memória de figuras e o teste de lista de palavras



TESTE DO RELÓGIO – Reflete o funcionamento frontal e têmporo-parietal e avalia as habilidades visoespaciais e construcionais (sensibilidade 78% e especificidade 96%) (8)

 



TESTE DE FLUÊNCIA VERBAL – Produção expontânea do maior número de itens de determinada categoria semântica (animais, frutas, vegetais, lista de supermercado) ou fonêmica (palavras iniciadas por determinada letra) durante um minuto. O  resultado se dá pelo número de respostas corretas obtidas- Pessoas noormais com escolaidade de oito ou mais anos lembram-se de pelo menos 13 animais, enquanto pessoas normais com menos de oito anos de escolaridade evocam pelo menos 9 animais.

  • Este teste se relaciona à nomeação, solução de problemas, sequenciamento, perseveração e vários aspectos da memória operacional, capacidade de organização e auto-regulação

MEMÓRIA VERBAL DE LONGO PRAZO – LISTA DE PALAVRAS para evocação imedata e evocação tardia (CERAD- Consortium to Establish a Registry for Alzheimer Disease): dez palavras são apresentadas por 3 vezes para repetição imediata e posterior evocação e reconhecimento.


TESTE DE MEMÓRIA DE FIGURAS da escala de memória de Weschler (qo figuras (BCSB_ Brief Cognitive Scerening Battery): avalia percepção visual, nomeação, memória incidentl, imediata e tardia, além do posterior reconhecimento desas figuras junto a outras dez (mais indicado para indivíduso de baixa escolaridade do que  a CERAD).


AVALIAÇÃO FUNCIONAL



AVD – ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA

Índice de Katz: banhar-se, vestir-se, cuidar da higiene pessoal, transferir-se do leito para uma cadeira, manter continência e alimentar-se


AIVD – ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DA VIDA DIÁRIA


  • Verifica a autonomia do indivÍduo: capacidade de tomar decisões em sua própria vida (morar sozinho, fazer a proproai comida, tomar medicação, fazer compras, controlar dinheiro, usar o telefone, arrumar a casa, lavar a roupa, pegar onibus, etc)

AVALIAÇÃO SOCIAL E AMBIENTAL

  • O idoso sente-se satisfeito e pode contar com famiiares para resolver seus problemas?
  • O idoso participa da vida familiar e oferece seu apoi quando outros membros têm problemas²
  • Há conflitos entre as gerações que compõem a família?
  • As opiniões do idoso são acatadas e respeitadas pelo núcleo familiar?
  • O idoso aceita e respeita as opiniões dos demais membros da família?
  • O idoso participa da vida comunitária e da sociedade em que vive?
  • O idoso apóia seus amigos quando eles têm problemas?
  • Adequar o ambiente para garantir a independência e reduzir riscos

BIBLIOGRAFIA

 

1. Tavares, A. Compêndio de Neuropsiquiatria Geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

2. Laks, j. Bottino, C. Blay, S. Demência e Transtornos Cognitivos no Idoso. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

3. Forlenza, O. Psiquiatria  Geriátrica: do diagnóstico precoce à reabilitação. São Paulo: Atheneu, 2007.

4. Blazer DG.Depressionin late life. St. Louis: Mosby; 1993

5. Almeida OP, Almeida AS. Confiabilidade da versão brasileira da Escala de Depressão em Geriatria (GDS) versão reduzida. Arq Neuropsiqat 199;57 (sb): 421-6

6. Folstein MF, Folstein S, Mchugh Pr. Mini Mental State: a practical method of grading the cognitive state of pacients for the clinician. J Psychiat Res 1975; 12: 189-98

7. Brucky SMD, Nitrini R, Caramelli P et al. Sugestões para o uso do miniexame do estado mental no Brsil. Arq Neuropsiqatr 2003; 61

8. Sunderland T, Hill JL, Mellow AM et al. Clock drawing in Alzheimer disease. J Am Ger Soc 1989