Psicofármacos e Lactação

PSICOFÁRMACOS E LACTAÇÃO – O transtorno mental, provoca danos tanto à mãe quanto ao bebê

  • TRANSTORNO DISFÓRICO PUERPERAL (BLUES)
    • Ocorre nos primeiros dias após o parto
    • Alguns autores consideram fisiológico
    • Até 85% de incidência em gestantes
    • Sintomatologia leve, com labilidade emocional  duração breve
    • Acompanhamento psicoterápico apenas, não medicar
  • DEPRESSÃO PUERPERAL
    • Início insidioso
    • Ocorre em 10 a 15% das puérperas
    • É o primeiro episódio depressivo de 60% das puérperas
    • A recorrência na segunda gestação é maior do que 50% e na terceira maior do qu 60%
    • História de depressão antes da gstação=> incidência maior do que 60¨%
    • Não é considerada uma patologia diferente das depressões fora do puerpério, apesar de apresentar nuances diferentes:
    • Maior labilidade do humor
    • Maior Presença de idéias obsessivas, pensamentos intrusivos e idéias de culpa
    • Maior presença de sintomas psicóticos (0,2%)
    • Quando há sintomas psicóticos (delírios ou alucinações), geralmente são focados no bebê (neném que é deformado (alucinação) ou um monstro
  • PSICOSES PUERPERAIS
    • Mais comum é o transtorno psicótico Breve F23 (CID10)- com bom prognóstico
    • Transtorno Bipolar
    • Incide em 2 a cada 1000 gestações (0,2%) sem antecedente de psicose;Aumento de 20 VEZES no risco de suicídio;    Início Agudo – nas 3  primeiras semanas

RISCO DE MEDICAÇÃO DA LACTENTE (Dados Do Sistma de Pediatria da Marina Alta, Espanha, cruzados com Academia Americana de Pediatria)

Tabela 5 – Antidepressivos e Lactação

Classe

Risco Baixo A

Risco Moderado

B ou C

Risco Alto

D

Não usar

X

ISRS

Fluoxetina

Sertralina  Paroxetina

 

Citalopram

Escitalopram 

 

 

 

Tricíclicos

Clomipramina

Amitriptilina

Nortriptilina

 

 

 

Novos e de Dupla Ação

 

Velafaxina

Mirtazapina

 

 

 

Outros

Duloxetina

Trazodona C

 

 

 

Há estudos longos e bastante evidência da segurança dos tricícicos em lactantes: amitriptilina, clomipramina, imipramina e nortriptilina

 

 

 

 

Tabela 6 – Antipsícóticos e Lactação

Classe

Risco Baixo A

Risco Moderado

B ou C

Risco Alto

D

Não usar

X

Atípico

Olanzapina

Risperidona

Clozapina

Quetiapina

Ziprasidona

 

 

 

Butirofenonas

Haloperidol

 

 

 

Fenotiazinas

 

Clorpromazina

 

Levomepromazina

Prometazina

(Fenergan)

 

 

         Tabela 7 – Ansiolíticos e Hipnóticos na Lactação

Classe

Risco Baixo A

Risco Moderado

B ou C

Risco Alto

D

Não usar

X

Benzodiazepinicos

 

Alprazolam

Lorazepam*

Clonazepam

Diazepam

Bromazepam

 

  • Por apresentar poucos metabólitos, é o de primeira escolha, se imprsescindível

  Tabela 8 – Estabilizadores do Humor e Lactação

Classe

Risco Baixo A

Risco Moderado

B ou C

Risco Alto

D

Não usar

X

Anticonvulsivantes

Ácido Valproico

Carbamazepina

Lamotrigina ©

 

 

Outros

 

 

Lítio*

 

  • *Paciente que usa lítio não deve amamentar.

CONCLUSOES

1)   Suplementação de Ácido Fólico para mulheres usando Antipsicóticos atípicos ou Anticonvulsivantes

2)   Suplementação de Vitamina K na última semana da gestação de gestante usando Carbamazepina

3)   INCIDÊNCIA DE MAL-FORMAÇÕES FETAIS E ABORTOS ESPONTANEOS NA POPULAÇÃO. GERAL SEM O USO DE QUALQUER PSICOFÁRMACO

  1. Perda fetal, malformações congênitas: 2 a 3% de TODAS as gestações
  2. Aborto espontâneo: 10 a 20% de todas as gestações

4)   Anotar no prontuário da cliente Todo o raciocínio clínico, ou seja, risco de medicar, risco de não medicar, risco para a mãe e para o fetO,potenciais, benefícios da medicação para mãe e filho – documentação que mostra o cuidado do psiquiatra

5)   Não se deve deixar a família decidir sozinha – deve-se informá-la bem e utilizar a experiência clínica, além das evidências para  acompanhar a família na decisão

6)   Evitar a “Onipotência” – primeiro passo, junto com a documentação para se evitar litígio

7)   Dar tempo à cliente e família para decidir – tempo para elaborarem uma decisão

8)   Boa relação com cliente  e família é fundamental para evitar litígios, assim como a humildade (não confundir com insegurança) do clínico.

9)   Ao sentir-se angustiado com algum caso, solicitar a opinião de um colega – mostra cuidado do clínico; e uma segunda opinião ajuda a família a tomar a decisão e a tranqüiliza.

10)               Compartilhar informações e decisões com a família.


BIBLIOGRAFIA



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Aula do Dr. Carlos Cais » Médico, psiquiatra, mestre e doutorado pelo Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciência Médicas da Universidade Estadual de Campinas, no programa de educação contiuadadaABP.

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7) Asher Ornoy, The Israeli Teratology Information Service, Israel Ministry of Health and Laboratory of Teratology, Department of Anatomy and Cell Biology, The Hebrew University Hadassah Medical School, PO Box 12272,Jerusalem 91120, Israel- Paroxetine and fluoxetine in pregnancy: a prospective,multicentre, controlled,observational study British Journal of Clinical Pharmacology- 66:5 / 695–705 / 695