Antipsicóticos Atípicos

ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS

São conhecidos como antipsicóticos de segunda geração, pelo mecanismo de antagonismo de serotonina e dopamna. Pertencem a este grupo a Risperidona (Risperdal), Olanzapina (Zyprexa), Quetiapina (Seroquel), Ziprasidona (Geodon) e Clozapina (Leponex).

Eles têm uma boa potencia de bloqueio aos receptores 5HT2 (serotoninérgicos) em relação aos antipsicóticos típicos (bloqueadores de dopamina (D2)- haloperidol, clorpromazina.

Parecem ser mais específicos para o sistema mesolímbico do que o sistema estriatal dopaminérgico e, em alguns casos, estão associados com rápida desconexão dos receptores D2. Este mecaniso  é teoricamente responsável pela melhor torelabilidade destes medicamentos.

Estes medicamentos apresentam as seguintes características em comum:

·         Pequeno bloqueio nos receptores de D2 dopaminércos em relação aos típicos (de primeira geração)

·         Um risco reduzido de sintomas extrapiramidais em relação aos agentes antidgos e provavelmente um reduzido risco de discinesia tardia

·         Eficácia comprovada para o tratamento da esquizofrenia

·         Eficácia comprovada para o tratamento de mania aguda em TR. Bipolar

·         Algumas destas drogas apresentam ganho de peso, que pode aumentar o risco de diabetes tipo II (O FDA – Food And Drug Administration) obrigou a colocarem em todas as bulas destes medicamentos atípicos esta importante notificação

·         A clozapina é o mais eficaz para sintomas negativos, além de ser efetivo tanto na mania quanto na depressão (apesar de não ter indicação do FDA para isso); deve-se, porém, fazer hemograma semanalmente por 18 meses pelo risco de leucopenia fatal. Geralmente utilizado quando os outros atípicos falham.

O Aripiprazol (Abilify) tem um mecanismo de ação diferente: é um agonista parcial de dopamina. Teoricamente, apresenta um grande avanço no tratamento de distúrbios psicóticos.

INDICAÇÕES

·         Mania aguda

·         Depressa refratária

·         Stres pos traumático (sim... pelo FDA)

·         Distúrbios do comportamento associados a demência

·         Esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo: indicada para tratamento de psicose aguda ou crônica em adultos e adolescentes. Os atípicos são tão eficazes ou melhores do que os típicos para tratar sintomas positivos da esquizofrenia (delrios e alucinações) e claramente superiores para tratar os sintomas negativos.

·          Pacientes que usam atípicos têm menor taxa de abandono, menores taxas de hospitalização, menos visitas às salas de emergência, menos contato com profissionais de saúde e menos tratame ento em hospital dia.

·         Pelos efeitos colaterais a clozapina só deve ser utilizada se os outros atíipicos não forem eficazes. Indicada também na discinesia tardia e pacientes com baixa tolerância a efeitos piramidais. A eficácia da clozapina pode ser aumentada pela associação com risperidona  e aripiprazol que aumentam o nível sérico de clozapina e resultam em melohra clínica dramática.

·         Transtornos do Humor – Todos os atípicos são liberados pelo FDA para tratar mania aguda. Olanzapina também é aprovada nos Estados Unidos como tratamento de manutenção de pacientes com transtorno bipolar.  Porém, benzodiazepínicos e antpsicóticos típicos são mais rápidos no tratamento da mania do que os atípicos.

·         Melhoram os sintoma depressivos na esquizofrenia e potenciam os antidepressivos na depressão maior.

·         Para depressão maior refratária tem-se usado antidepressivos associados a atípicos

·         Nos EUA o FDA aprovou  o Symbiax (olanzapina e fluoxetina combinadas) para tratamento da depressão bipolar aguda.

·         Outras indicações

o   Agressividade (10% dos esquizofrênicos apresentam comportamento agressivo

o   AiDS

o   Autismo

o   Tourette

o   Coréia de Huntigton

o   Síndrome de Lesh Nyhan

o   Automutilação em crianças  (olanzapina e risperidona)

o   Junto com ritalina para TDAH (hiperatividade) com transtorno desafiado opositor ou de conduta co-mórbido

o   Discinesia tardia severa: clozapia, olanzapina e quetiapina

o   Depressão psicótica

o   Psicose secundária a trauma, demência ou medicamentos.

o   Reduz o risco de suicídio e intoxicação hídrica (potomania) em pacientes esquizofrênicos

o   Transtorno obsessivo-compulsivo refratário

o   Personalidade borderline

RISPERIDONA . Meia vida de 20 horas. Tão potente quanto o haloperidol (haldol) para receptores D2, porém muito menos efeitos extrapiramidais.

Efeitos Colaterais: Efeitos extrapiramidais dose-dependentes, mesmo com baixas doses (tremor, parkinsonismo, fala arrastada, bradiscinesia, marcha parkinsoniana, fáscies em máscara, sialorréia).

 Ganho de peso, ansiedade, náuseas e vômitos, rinite, disfunção erétil, disfunção orgásmica. Os efeitos adversos que mais causam a interrupção do tratamento são: sintomas extrapiramidais, tontura, hipercinesia, sonolência e  náusea.

Pode ocorrer importante elevação da prolactina. O ganho de peso atinge mais as crianças do que os adultos.

Dosagem: Estudos com PET (tomografia por emissão de pósitrons) mostram que 1 a 4mg são suficientes para bloquear os receptores D2 em quantidade adequad.

No início, pensava-se que deveria ser tomada duas vezes ao dia, mas apenas uma vez ao dia apresenta eficácia igual.

 Dosagens acima de 6mg por dia são associados com uma alta incidência de efeitos colaterais, principalmente extrapiramidais. Não há relação entre nível plasmático e efeito terapéeutico.

 Risperdal Consta é o único antipsicótico atípico injetável disponível no Brasil. A dose varia de 25 a 75mg a cada duas semanas por via intramuscular.

Interações medicamentosas: Inibidores da CYP2D6 como fluoxetina e paroxetina podem inibir o  metabolismo da risperidona e formação de seu metabólito ativo. Risperidona é um fraco inibidor da CYP2D6 e tem pouco efeito em outras drogas.

O uso combinado de risperidona com inibidores da recaptação de serotonina (IRS) podem causar uma significativa elevação da prolactina, com galactorréia e aumento das mamas.

OLANZAPINA

Efeitos Colaterais  - como a clozapina, causa um ganho de peso importante. Efeito dose dependente. Sedação, boca seca, tontura, constipação, dispepsia, aumento do apetite, tremor  e acatisia podem ocorrer. Poucos pacientes (2%) tem que suspender o medicamento por aumento das enzimas hepáticas.

Há um risco maior de reações extrapiramidais dose-dependente.  O fabricante recomenda controle glicêmico periódico e dosagem das transaminases. O FDA obrigou o fabricante a colcar um alerta sobre o risco aumetado de acidente vascular cerebral em pacientes com demência tratados com olanzapina do que com outros atípicos.

Dosagem: de 2,5 a 40mg/dia. (doses acima de 20mg/dia não são aprovadas por estudos).

Interações – fluvoxamina e cimetidina aumentam o nivel sérico de olanzapina. Fenitoina e carbamzepina reduzem o nível sérico da droga. O álcool aumenta a absorção de olanzapina em mais de 25%, causando sedação importante. Olanzapina tem pequeno efeito no metabolismo de outras drogas.

QUETIAPINA